domingo, 17 de janeiro de 2010

O Tejo é mais Belo
por Alberto Caeiro


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.




Ainda acerca de RIOS...
Vi num documentário sobre a Mongólia que os rios lá são protegidos. É proibido poluí-los. Não sei que tipo de coimas são aplicadas mas as pessoas simplesmente cumprem as regras. Diz a Wikipédia que cerca de 30% dos mongóis são nómadas ou semi-nómadas. Talvez seja por isso, ou não. A água é completamente limpa. É brutal olhar aquela água. Nada a ver com o rio Tejo!

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